Menopausa

A menopausa ocorre quando os folículos ovarianos que produzem estrogênio se esgotam, não há mais produção hormonal e ovulação e, consequentemente, a parada da menstruação. Logo após esta última menstruação que ocorre geralmente em torno dos 50 anos, inicia-se um período chamado de Climatério, que pode ser acompanhado de sintomas como: ondas de calor (fogachos), insônia, depressão, variação de humor, falta de memória, ressecamento vaginal, ganho de peso e diminuição da libido, entre outros. Com o tempo, também começam a perder, com maior rapidez, o cálcio dos ossos que pode evoluir para a osteoporose, além de se tornarem mais sujeitas a doenças cardíacas e doenças degenerativas do sistema nervoso, como o Mal de Alzheimer. Quando os sintomas comprometem o conforto e a qualidade de vida da mulher, se indica a Terapia Hormonal da Menopausa (THM), com estrogênios e progesteronas iguais ou próximos aos naturais.

Indicações da Terapia Hormonal da Menopausa (THM)

• Alívio dos sintomas da menopausa;
• Conservação do trofismo vaginal;
• Preservação da massa óssea e da pele;
• Melhora do bem-estar geral;
• Melhora da qualidade sexual.

Contra-indicações

• Presença de tumores que dependam de estrogênios, como os de mama e endométrio (camada interna do útero), em atividade ou recentes;
• Tromboembolismo agudo (obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo);
• Exame que detecte Trombofilia – uma tendência a fazer tromboembolismo – com resultado positivo (devido à hereditariedade, doenças auto-imunes ou malignidade);
• História comprovada de tromboembolismo prévio;
• Sangramento vaginal ou lesões do endométrio, identificadas à ultra-sonografia transvaginal, ou das mamas, não esclarecidas e à mamografia;
• Doenças do fígado, principalmente quando a THM é feita por via oral.

Precauções

• História sugestiva, mas não comprovada, de tromboembolismo já ocorrido;
• Obesidade, tabagismo, períodos de imobilização (por exemplo: após cirurgia) e presença de varizes de grosso calibre – são situações que podem facilitar o tromboembolismo;
• Mamas que, previamente, doíam antes da menstruação (Mastopatia Funcional);
• Miomas;
• Cistos de ovário.

Individualização

• Os esquemas e vias de administração devem ser discutidos e aliados juntamente com as pacientes para que haja benefícios e boa adesão ao tratamento;
• Assim como em situações de esgotamento de glândulas endócrinas, deve-se usar hormônios que sejam exatamente iguais aos produzidos pelo organismo;
• O estrogênio só deve ser usado isoladamente em mulheres sem útero;
• Deve-se usar progesterona natural ou seus derivados nas mulheres com útero para que haja proteção do endométrio;
• O esquema cíclico seqüencial é o mais fisiológico e faz as menstruações retornarem;
• O esquema contínuo pode ser usado nas mulheres que se recusam terminantemente a menstruar, naquelas que apresentavam Tensão Pré-Menstrual (TPM) importante anteriormente (como distúrbios psíquicos e/ou enxaquecas) ou em caso de dismenorréia importante (cólicas), hipermenorréia (fluxo intenso) ou endometriose;
• A via oral pode ser a preferida, principalmente na presença de colesterol alto, mas está contra-indicada em casos de hipertensão arterial, aumento de triglicerídeos e doenças da vesícula biliar. Devemos lembrar que ela aumenta o risco para trombose.
Quando priorizamos a individualização, os medicamentos que contem estrogênio e progesterona isoladamente são mais adequados ao ajuste pelo médico às necessidades de cada paciente.

Monitorização

• Logo após o início da THM, a paciente deve retornar em mais ou menos dois meses para ajuste das doses dos hormônios;
• Depois disto, deve ser reavaliada a cada seis meses e, no mínimo, anualmente;
• Antes e durante a terapia, devem ser pedidos anualmente os seguintes exames: Mamografia, Ultra-sonografia de mamas (em casos de mamas densas), Ultra-sonografia Transvaginal, exames de sangue com dosagens de colesterol e triglicerídeos, exames do fígado, dosagens hormonais, e Densitometria Óssea.

Conclusões

• Os estudos sobre a THM como prevenção da Doença cardiovascular ainda precisam de melhor definição. Não há, no entanto, dados que excluam benefício cardiovascular com os esquemas de THM mais próximos do fisiológico e em mulheres no início do Climatério;
• Os esquemas e tipos de associação hormonal (estrogênios e progesterona) devem ser sempre individualizados;
• Devemos optar pela menor dose efetiva de estrogênio associado à progesterona natural (ou seus derivados) nas mulheres com útero;
• A duração dependerá das metas estabelecidas com a paciente, devendo ser avaliada periodicamente levando-se em conta indicação versus contra-indicação;
• Devemos, também, orientar as mulheres a terem um estilo de vida mais saudável, sem tabagismo, com alimentação adequada, rica em cálcio e pobre em gorduras, e atividade física regular; pois isto é importantíssimo principalmente nas mulheres após a menopausa.
Fonte: Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, modificado.