Distúrbios da Menstruação

Desde a puberdade até a menopausa, a menstruação faz parte da agenda fisiológica da mulher. O sangramento uterino mensal representa o desfecho de um ciclo, cujo objetivo é assegurar a reprodução da espécie.

A cada mês, sob a influência de diversos hormônios, um óvulo é exposto para ser fecundado e, simultaneamente, o interior do útero é preparado para receber, abrigar e nutrir o futuro embrião. Não havendo fecundação (gravidez), todo esse preparativo é desfeito e ocorre a descamação do endométrio, originando a menstruação e inicia-se um novo ciclo.

Os distúrbios são condições em que não existe menstruação ou o padrão menstrual da mulher se altera. Cerca de 20%das mulheres sofrem com distúrbios, eles podem ser por alteração de duração, da quantidade e do intervalo; a suspensão brusca da menstruação antes do tempo considerado normal do seu término, perda de sangue fora do período menstrual e a falta de menstruação. A duração normal do ciclo menstrual varia de 21 a 36 dias, a duração da menstruação pode variar de 1 a 8 dias e a quantidade normal de perda de sangue oscila entre 20 a 80 ml.

As principais causas de distúrbio menstruais são decorrentes de alterações físicas (como tumores, cistos, miomas), hormonais (Síndrome do Ovário policístico, hiperandrogenismo, alterações da tireóide, aumento da prolactina e menopausa precoce) e psicológicas (estresse, anorexia, etc).

Fonte da imagem: www.ferato.com/wiki/index.php/Endometrio

Segue abaixo uma explicação dos principais distúrbios menstruais:

 

Amenorréia Primária:

É também considerada como atraso da menarca, que é a primeira menstruação. Ela é diagnostica em meninas magras demais ou que praticam esporte em excesso e chegam aos 16 anos sem menstruar por falta de gordura no corpo. Alguma gordura corporal é importante para ativar o processo de produção hormonal necessário ao estabelecimento do ciclo reprodutivo.

 

Sangramento Uterino Disfuncional:

Sangramento uterino anormal é aquele que apresenta uma alteração em um ou mais desses três parâmetros, ou seja, um sangramento excessivo em duração, freqüência ou quantidade. Com relação a este último parâmetro, não existe uma maneira prática e objetiva capaz de medir a quantidade de sangue eliminado, porém, se o sangue menstrual forma coágulos, provavelmente a perda é maior que o normal e quanto mais coágulos maior a perda.

Os padrões anormais de sangramento são:

  • Polimenorréia: menstruação demasiado frequente com intervalo menor de 25 dias.
  • Oligomenorréia: menos de nove ciclos menstruais ao ano, apresenta as mesmas causas de amenorréia secundária e deve receber, portanto, avaliação idêntica.
  • Hipomenorréia: fluxo escasso.
  • Menorragia/hipermenorréia: volume superior a 80 ml ou sangramento superior a 7 dias com intervalos regulares.
  • Metrorragia: sangramento com intervalos irregulares, mas freqüentes, com volume e duração variáveis.
  • Menometrorragia: sangramento prolongado ocorrendo a intervalos irregulares.
  • Sangramento intermenstrual: sangramento entre ciclos regulares.

Mas mais significativo que ter um sangramento fora dos padrões normais, é a mudança no padrão próprio de cada mulher, pois usualmente a mulher apresenta um mesmo padrão menstrual durante toda a vida reprodutiva.

 

Inclui desde fluxos intensos ou ralos à escapes ou sangramentos fora do ciclo menstrual. Entre as causas possíveis do sangramento uterino irregular se destacam: distúrbios hormonais, excesso de exercícios ou de peso, presença de miomas, estresse emocional, menarca recente ou aproximação da menopausa.

A falha na ovulação (ou anovulação) está por trás da maioria dos sangramentos irregulares.

 

Síndrome dos Ovários Policísticos:

A síndrome de ovário policístico (SOP) é uma doença na qual há um desequilíbrio nos hormônios sexuais femininos. Esse desequilíbrio hormonal pode causar alterações no ciclo menstrual, alterações na pele, pequenos cistos nos ovários, dificuldade para engravidar e outros problemas. Geralmente está associada ao excesso de peso, alterações da glicose, colesterol e predisposição genética.

As mulheres geralmente são diagnosticadas quanto têm entre 20 ou 30 anos, mas a síndrome de ovário policístico também pode afetar adolescentes.

Os principais sinais e sintomas são:

Alterações no ciclo menstrual:

  • Falhas na menstruação, geralmente com um histórico de se ter um ou mais períodos menstruais normais durante a puberdade (amenorreia secundária)
  • Períodos menstruais irregulares que podem ser mais ou menos frequentes, variando de muito leves a muito intensos

Desenvolvimento de características sexuais masculinas (virilização):

  • Tamanho reduzido das mamas
  • Aprofundamento do timbre da voz
  • Hipertrofia do clitóris
  • Aumento de pelos no peito, abdome e face, assim como ao redor dos mamilos (chamado hirsutismo)
  • Rareamento dos cabelos, chamado calvície de padrão masculino

Foi demonstrado que perder peso (o que pode ser difícil) ajuda com a diabetes, a pressão arterial alta e o colesterol alto. Mesmo uma perda de peso de 5% do peso corporal total mostrou ajudar com o desequilíbrio hormonal e também a infertilidade.

Medicamentos usados para tratar dos hormônios e ciclos menstruais anormais decorrentes da síndrome de ovário policístico incluem:

  • Pílulas anticoncepcionais ou comprimidos de progesterona, para ajudar os ciclos menstruais a se tornarem mais regulares
  • Metformina, um medicamento que aumenta a sensibilidade do corpo à insulina, pode melhorar os sintomas da síndrome de ovário policístico e às vezes fará com que os ciclos menstruais sejam normalizados. Para algumas mulheres, ele também pode ajudar com a perda de peso.
  • Análogos do hormônio liberador do hormônio luteinizante (LHRH).

 

Hiperprolactinemia:

É uma condição em que a prolactina (hormônio produzido pela hipófise durante a gestação e lactação) é liberada em quantidades excessivas. O maior efeito nocivo do excesso de prolactina é a redução nos níveis dos hormônios sexuais, estrogênio na mulher e testosterona nos homens. A hiperprolactinemia pode causar sintomas em decorrência do excesso de prolactina, como falta de menstruação, baixa libido, secreção de leite pelas mamas, dificuldade de ereção nos homens, ou podem causar sintomas devido efeitos compressivos do tumor sobre as estruturas ao seu redor, causando dor de cabeça e alterações na visão. É preciso lembrar que existem outras causas para produção excessiva de prolactina além do tumor hipofisário, como algumas medicações, hipotireoidismo, insuficiência renal, etc. Uma vez confirmado o diagnóstico de prolactinoma, seu médico irá orientá-lo sobre a melhor forma de tratamento. Geralmente utilizamos medicações, conhecidas como agonistas dopaminérgicos para reduzir a prolactina, melhorar os sintomas e reduzir o tamanho do tumor. A cirurgia fica reservada apenas para algumas situações.